Concurso valoriza o Queijo Artesanal Serrano dentro da Festa do Pinhão

Janir e Rosângela começaram a produzir o Queijo Artesanal Serrano há três anos .

 Foi com o marido Janir Guedes de Souza, de 51 anos, que Rosângela Carbonar Guedes de Souza, de 50 anos, descobriu a arte do Queijo Artesanal Serrano. Casados há 30 anos, os dois trabalham com o queijo há três anos. A família mora na localidade Pericó, em São Joaquim, na Serra Catarinense. O ponto é de passagem de turistas, dessa forma, Rosângela já vendeu o queijo para brasileiros e moradores de outros países.

 

O Queijo Serrano é a principal fonte de renda da família. Eles vivem disso. Quem pensa que o queijo é apenas o produto final, mal sabe que há todo um processo antes dele chegar à mesa do consumidor. Assim, os filhos do casal, Marlon e Mariane são envolvidos na produção. Marlon e Janir cuidam do manejo do gado, já que a alimentação das vacas é fundamental para que o sabor do queijo. Mariane e a mãe são as responsáveis pela produção do queijo.

 

São 200 anos de história do Queijo Artesanal Serrano. Porém, é a primeira vez que ele está presente dentro da Festa Nacional do Pinhão. Os queijos estão na festa para o 3º Concurso Regional de Queijo Artesanal Serrano. O evento, promovido pela Epagri e instituições parceiras, busca incentivar a produção, com qualidade, do Queijo Artesanal Serrano, promover a valorização de saber-fazer centenário, fortalecer a organização dos produtores, e divulgar a história, o sabor e a importância que o produto tem na região.

A extensionista social da Gerência Regional da Epagri em Lages, Andréia Meira, ressalta que o concurso faz parte do projeto que busca valorizar, divulgar e qualificar o queijo. Cada produtor tem suas peculiaridades, mesmo sendo uma receita única, eles mantêm seus modos de fazer. Andréia enfatiza que os encontros e concursos promovem a percepção da evolução na qualidade do produto.

Essa evolução também é percebida pelo presidente da Associação dos Produtores de Queijo Artesanal Serrano da Serra Catarinense, João Miranda. São 80 produtores, alguns já certificados, e outros que buscam a identificação. O presidente comenta que por meio de emenda parlamentar do deputado estadual Marcius Machado, a associação pede alterações. Transformar a propriedade em controlada em vez de certificada, e diminuir o tempo de maturação para vender, são exemplos de pedidos dos produtores.

O diretor de extensão rural e pesqueiro da Epagri no Estado, Humberto Bicaneto, destaca a importância da identificação geográfica e comenta que o concurso motiva a padronização dos produtos. “É um trabalho importante para que se criem parâmetros para o Queijo Artesanal Serrano da região”. Segundo Humberto, o Queijo Artesanal Serrano dentro dos parâmetros gera renda e qualidade de vida aos produtores e consumidores. Além de carregar a cultura e a tradição do povo serrano.

O que é

Queijo Serrano é o produto elaborado na propriedade, a partir do leite cru, hígido, integral e recém-ordenhado, que se obtém por coagulação enzimática do leite, através da utilização de coalhos industriais. O produto final apresenta consistência firme, cor e sabor próprios, massa uniforme, isenta de corantes e conservantes, com ou sem olhaduras mecânicas, conforme a tradição histórica nos Campos de Cima da Serra de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.

Cerca de 20 queijos classificados nas fases microrregionais participaram da etapa final do concurso que é dividido em duas categorias. A categoria Queijo Artesanal Serrano inclui peças com maturação mínima de 30 dias e máxima de 60 dias, com o peso mínimo de 1Kg. Na categoria Queijo Artesanal Serrano maturado ou tropeiro competem peças com tempo de maturação mínima de 60 dias e no mínimo 2Kg.

No julgamento técnico, os queijos são avaliados segundo as características de cor, textura, consistência, aroma e sabor. Ainda é considerado, na avaliação, o envolvimento dos produtores em cursos de qualificação e processo de legalização.

No julgamento técnico foram premiados os três melhores queijos nas duas categorias – maturado ou não. Já no julgamento popular não foi levado em conta o tempo de maturação, foram premiados os três preferidos do público, entre os 25 que estarão concorrendo.

Indicação Geográfica

Está na fase final o processo de obtenção de uma Indicação Geográfica (IG) para o Queijo Artesanal Serrano. A IG é uma certificação, concedida pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), que garante que um produto só tem aquelas propriedades porque sua produção é influenciada por características ambientais ou culturais de uma determinada região.

A história do Queijo Artesanal Serrano começou a ser escrita por volta de 1730, quando foi aberto o Caminho dos Conventos. O queijo artesanal serrano revela na textura, no aroma e no sabor que é muito mais do que um produto – é um pedaço da história que reúne características únicas, como o “saber-fazer” que cruzou o Atlântico com os portugueses, o clima frio dos campos de araucárias e o leite das vacas de corte alimentadas com pastagem nativa.

O processo de obtenção da IG para o Queijo Artesanal Serrano foi desenvolvido pela Epagri em parceria com algumas instituições, entre elas a Associação dos Produtores de Queijo Artesanal Serrano da Serra Catarinense (Aproserra). O documento final que solicita a IG está no INPI, que é quem dá a decisão final sobre a concessão ou não da IG. Não há prazo para o Instituto emitir seu parecer.

 

Matéria:  Andressa Ramos / clmais.com.br

Foto: Marcela Ramos