Garrão de Potro, foi de Lages para o mundo

Grupo Garrão de Potro foi convidado a participar de evento em Paris - Fotos: Débora Bombílio

 Anderson Pereira é professor de dança desde 1995. São 23 anos dedicados ao ensino de dança tradicional gaúcha. Mas, desde os nove anos o menino Anderson já conhece esse mundo nativista. Pois como dançarino, chuleador e instrutor já recebeu os principais prêmios estaduais e nacionais nos maiores rodeios e festivais do gênero.

 

“Desde que eu virei instrutor, sempre dizia aos meus alunos que tinha um sonho de levar a dança tradicional gaúcha para fora do país e muito além dos rodeios comuns do nosso cotidiano”, diz Anderson.

 

Mas, antes de entrarmos nessa história é bom que fique bem claro um conceito. Anderson explica que quem nasce no Rio Grande do Sul é rio-grandense e gaúcho é um estado de alma e espírito cultuado muito antes das fronteiras.

Pensando assim ele prosseguiu no seu intuito de levar essa cultura gaúcha para longe. “O primeiro passo foi aprovar o projeto “Garrão de Potro Espetáculo Dança Antiga” no edital Elisabeth Anderle e apresentar no Teatro do Sesc, em março de 2014”, diz Anderson. “Após isso inscrevi na Federação Brasileira de Artes Populares – Febrarp e logo fomos chamados para o primeiro festival”. E lá foram eles ao alcance do Festival Agosto Poty, em Assuncion, capital do Paraguai.

Estava alçado o primeiro voo deste grupo formado por amigos e dançarinos, que já foram alunos de Anderson e que atuam em seus respectivos CTGs. “É importante salientar que esse projeto não visa competição, mas sim, a união de talentos em prol da cultura gaúcha através da própria dança em si”, explica. Esse projeto já contabiliza cinco festivais internacionais de folclore: Paraguai, Colômbia, Portugal, Peru e França.

Anderson salienta que para participar destes festivais é necessário ter um convite oficial das organizações e comprovar o trabalho de qualidade e responsabilidade do grupo. “O Paraguai foi um teste para nós. Após isso, as portas se abriram. Fomos aprovados em todas as triagens necessárias e hoje temos livre acesso às diferentes federações internacionais”, afirma ele. “É importante salientar que os dançarinos dividem esse sonho comigo. Pois não existe patrocínio nem verba privada ou pública destinada a essas viagens. Os integrantes custeiam sua própria viagem e assim podem também praticar o turismo artístico”, conclui.

Lageanos palestraram na Unesco

Dançando em Paris

Estamos em setembro, mês em que a comunidade tradicionalista relembra a Semana Farroupilha e comemora o dia do gaúcho. Fora do Brasil a data também é festejada. Em Paris, está sendo realizado desde 19 de setembro, o 6º Festival do Sul do Brasil, que terá como tema “Um Brasil diferente”.

É segunda vez Santa Catarina recebeu o convite para participar deste evento, organizado pela Associação Sol do Sul. “Neste ano conseguimos aceitar este convite. Estar com o Grupo Garrão de Potro Dança Antiga em Paris, está sendo gratificante”, diz Anderson. “Pois palestrar na Unesco, bem no dia 20 de setembro, é com certeza memorável”, conta ele que cumpriu extensa programação na capital francesa.

A Sol do Sul é uma associação franco-brasileira fundada em 2003, em Paris, que tem como objetivo promover a cultura brasileira na França, organizando manifestações culturais como exposições, apresentações musicais, conferências e promovendo viagens de intercâmbio.

Mas, com foco principal em estimular a divulgação da região Sul do Brasil. “Ainda somos pequenos, mas muito dinâmicos e quando vemos que o festival se consolida a cada nova edição, nos motiva a prosseguir essa aventura, desenvolvendo e criando novas oportunidades e laços entre o Sul do Brasil e a Europa”, diz Jaqueline Dreyer, presidente da associação.

“Essa experiência em Paris está sendo grandiosa. Estar onde Paixão Cortês esteve divulgando a tradição é sem igual. Ser recebido por autoridades internacionais na prefeitura de Paris, embaixada do Brasil e Unesco é realmente uma prova de reconhecimento. Apesar de ser um sonho eu não esperava que tomasse essa dimensão. Mas, acima de tudo isso minha maior realização é ver a alegria dos dançarinos. Além de que, os festivais são instantes de renovação”, conclui ele, que atualmente, além do grupo dedica-se aos CTGs Planalto Lageano e Praianos e ao GAC – Grupo de Arte e Cultura Querência Açoriana de São José.

 

Matéria e fotos: Débora Bombilio / clmais.com.br